Convencimento e Persuasão no Tribunal do Júri: falar por último é mesmo vantajoso para a defesa?

  • 24 de Maio de 2022

Os julgamentos dos crimes contra a vida, em nosso país, são feitos pelo Tribunal do Júri, órgão colegiado formado por sete pessoas do povo que julgam um seu semelhante, esse órgão é chamado de Conselho de Sentença. 

Depois de produzida a prova perante o Conselho de Sentença, acusação e defesa, nessa ordem, têm o mesmo período de tempo para exporem cada qual seus respectivos argumentos sobre o caso penal em julgamento.

Algumas pesquisas científicas demonstram que aquele que fala primeiro leva vantagem sobre seu opositor, pois quando o jurado toma uma decisão (efeito primazia), ainda que em caráter precário, dois efeitos ocorrem inconscientemente:

a) Primeiramente o julgador passa a buscar elementos que corroborem a decisão tomada previamente, então ele se lembra dos depoimentos, das peças processuais que foram lidas durante a instrução processual, dentre outros, tudo buscando corroborar sua decisão previamente tomada.

b) Em segundo lugar ocorre a tendência de refutar todos os argumentos e elementos que sejam contrários a essa decisão. Isso deriva pelo fato de que ninguém quer entrar em “dissonância cognitiva”, isto é, pensar que sua própria decisão estava errada.

Portanto, nesse tipo de julgamento a defesa possui o hercúleo papel de desconstruir a íntima deliberação do julgador para somente após realizada essa tarefa convencê-los que a tese defensiva é a que mais se coaduna com as provas dos autos.

Direito Criminal.
Por: Ronaldo da Silva OAB/SC 47.258